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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

AUTOCOMPAIXÃO

 "Como vedes, não podeis depender de ninguém. Não há guia, não há instrutor, não há autoridade. Só existe vós, vossas relações com outros e com o mundo, e nada mais. Quando se percebe esse fato, ou ele produz um grande desespero, causador de pessimismo e amargura; ou, enfrentando o fato de vós e ninguém mais sois o responsável pelo mundo e por vós mesmos, pelo que pensais, pelo que sentis, pela maneira como agis, desaparece de todo a autocompaixão."

KRISHNAMURTI, J. "A busca do homem" (p. 51 e 52) Revista Theosophia, Jul/Ago/Set - 2018.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A FLOR INTERIOR


"(...) para descobrir se de fato existe ou não alguma coisa além desta existência ansiosa, culpada, temerosa, competidora, parece-me necessário tomarmos um caminho completamente diferente. O caminho tradicional parte da periferia para dentro,  para, através do tempo, da prática e da renúncia, atingir gradualmente aquela flor interior, aquela íntima beleza e amor - enfim, tudo fazer para nos tornarmos estreitos, vulgares e falsos; retirar as camadas uma a uma; precisar do tempo, amanhã ou na próxima vida chegaremos - e quando, afinal, atingirmos o centro, não encontramos nada, porque nossa mente se tornou incapaz, embotada, insensível."

"A busca do homem" (KRISHNAMURTI) (p. 49) Revista TheoSophia, Jul/Ago/SET - 2018.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

AUTOCONHECIMENTO



"Precisas discernir entre o importante e o não importante. Firme como uma rocha no que concerne ao certo e ao errado, cede sempre aos outros em coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável e bondoso, razoável e conciliador, deixando aos outros a mesma plena liberdade que necessitas para ti mesmo."

KRISHNAMURTI, J. "Aos Pés do Mestre" (p. 27) Ed. Teosófica

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A COMPREENSÃO DO SOFRIMENTO


"Se não há compreensão do sofrimento, não há sabedoria; o fim do sofrimento é o começo da sabedoria. Para se compreender o sofrimento e dele se ficar livre completamente, requer-se compreensão, não só do sofrimento individual, particular, mas também do imenso sofrer humano. Para mim, se não estamos totalmente livres do sofrimento, não pode haver sabedoria e tampouco terá a mente possibilidade de investigar deveras essa imensidade que se pode chamar Deus, ou outro nome qualquer."

KRISHNAMURTI. Theosophia, ano 107, Abril/Mario/Junho de 2018. (p. 50)

sexta-feira, 25 de maio de 2018

DISCERNIMENTO


"O Discernimento, usualmente tomado no sentido da distinção entre o real e o irreal, que conduz o homem a entrar na Senda. É isto; mas é também muito mais, e deve ser praticado não somente no início da Senda, mas a cada passo, todo dia, até o fim. Entras na Senda porque aprendeste que somente nela se podem encontrar coisas merecedoras de aquisição. (...) Há coisas maiores do que essas - coisas reais e duradouras; quando a tiveres visto uma vez, não mais desejarás as outras."

KRISHNAMURTI, J. "Aos Pés do Mestre" (p.15) Ed. Teosófica

sábado, 20 de janeiro de 2018

O MOVIMENTO DO TEMPO


"O passado é o movimento, modificado pelo presente, para o futuro. Este é o movimento do tempo. O passado é um movimento sempre indo para a frente, encontrando o presente e movimentando-se. O agora é o não movimento, porque não conhecemos o que é o agora, só conhecemos o movimento. O agora é o que está imóvel, é o passado encontrando o presente e acabando aí. Esse é o agora. Então, o movimento do passado encontra o agora, que está imóvel, e para. Em seguida, o pensamento, que é o movimento do passado, encontra-se inteiramente como presente e termina aí. Temos de pensar e meditar sobre isso. Aprofunde-se na ideia."

(J. Krishnamurti, Nossa Luz Interior, Ed. Ágora, pg. 94)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

MEDITAÇÃO


"Meditação é um movimento no e do desconhecido. Você não está lá, só o movimento. Ou é muito pequeno ou muito grande para esse movimento. Nada há atrás ou a frente dele. É aquela energia que o pensamento-matéria não pode tocar. O pensamento é perversão, pois trata-se do produto de ontem; é apanhado na labuta de séculos e, por isso mesmo, é confuso e nebuloso. Faça o que quiser, o conhecido não pode alcançar o desconhecido. Meditação é morrer para o conhecido."
 (J. Krishnamurti, Meditations)

domingo, 19 de novembro de 2017

SOBRE A CONFUSÃO DA MENTE


"Se nunca conhecemos o amor, mas só lutas, misérias, conflitos infindáveis, como podemos experimentar aquele amor que nada tem em comum com essas coisas? Uma vez conhecido o amor, já não precisamos ter o trabalho de procurar aquela relação. Então, o amor, a inteligência, entram em ação. Mas, para se experimentar esse estado têm de extinguir-se todo o saber, todas as lembranças acumuladas, todas as atividades egocêntricas, para que a mente não seja mais capaz de projetar sensações. Então, com a experiência desse estado, haverá ação neste mundo.
Sem dúvida, esta é a finalidade da existência — transcender a atividade egocêntrica da mente. Depois de experimentar esse estado que não é mensurável pela mente, então essa própria experiência efetuará uma revolução interior. Então, havendo amor, não haverá mais problema social. Não há mais problemas, quando há amor. Porque não sabemos amar, temos os problemas sociais e sistemas filosóficos para resolvê-los. Digo que esses problemas nunca serão resolvidos por sistema algum, nem da esquerda, nem da direita, nem do centro. Só serão resolvidos — nossa confusão, nosso sofrimento, nossa autodestruição — quando pudermos experimentar aquele estado que não é projetado de nós mesmos."

(J. Krishnamurti, A Primeira e Última Liberdade, Cultrix, pg. 232)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

COMPREENDENDO A MEDITAÇÃO


" Na compreensão da meditação, há amor, que não é produto de sistemas, hábitos ou acompanhamento de um método. O amor não pode ser cultivado pelo pensamento. Talvez possa vir à existência no completo silêncio, silêncio no qual o meditador encontra-se inteiramente ausente; e a mente só pode silenciar quando compreende seu próprio movimento, como pensamento e sentimento. Para compreendê-lo, não pode haver condenação no observar. Observá-lo assim é disciplina, mas um tipo de disciplina fluida, livre, não a disciplina da conformidade."

(J. Krishnamurti, Meditations)

sábado, 21 de outubro de 2017

SIMPLICIDADE


"Simplicidade não significa mero ajustamento a um padrão. Requer-se muita inteligência para sermos simples, e não apenas que nos ajustemos a determinado padrão, por mais nobre que ele se nos afigure, exteriormente. A maioria de nós, infelizmente, começa a ser simples nas coisas exteriores, é bem fácil ter escassas posses e estar satisfeito com poucas coisas; contentar-se com pouco e talvez dividir este pouco com outros. Porém, uma simples manifestação exterior de simplicidade, nas coisas, nas posses, não implica, por certo, simplicidade interior. Porque, nas condições atuais do mundo, estão-nos sendo impostas cada vez mais coisas, exteriormente. A vida se está tornando cada vez mais complexa. Para fugir de tal situação, procuramos renunciar às coisas ou desapegar-nos delas — de automóveis, casas, organizações, cinemas, e das inumeráveis circunstâncias que nos assaltam do exterior. Pensamos que, pela renúncia, seremos simples. Já houve muitos santos e muitos instrutores que renunciaram ao mundo; parece-me, no entanto, que tal renúncia, por parte de qualquer de nós, não resolve o problema. A simplicidade fundamental, real, só pode vir à existência interiormente, e daí manifestar-se, exteriormente, como expressão. Como ser simples — eis o problema: porque a simplicidade nos torna mais e mais sensíveis. A mente sensível, o coração sensível, é essencial, porque capaz de rápido percebimento, rápida receptividade.
Sem dúvida, só podemos ser interiormente simples, quando compreendemos os inumeráveis empecilhos, apegos, temores, em que estamos aprisionados. Entretanto, de modo geral, gostamos de estar presos a pessoas, posses, ideias. Gostamos de ser prisioneiros. Interiormente, somos prisioneiros, embora exteriormente pareçamos muito simples. Interiormente somos prisioneiros dos nossos desejos, das nossas necessidades, de nossos ideais, de inumeráveis impulsos. A simplicidade não pode ser achada, se não somos livres interiormente. Por conseguinte, ela deve começar de dentro, e não de fora."

(Krishnamurti, A Primeira e Última Liberdade, Ed. Cultrix, São Paulo - p. 75/76)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

PARA APRENDER, A MENTE PRECISA ESTAR TRANQUILA


"Para descobrir algo novo, você precisa começar por você mesmo; precisa iniciar uma jornada completamente despojado(a), especialmente de conhecimento, porque é muito fácil, mediante o conhecimento e a crença, ter experiências, mas elas são simplesmente o produto da autoprojeção, por isso totalmente irreais, falsas. Para descobrir por si mesmo o que é novo, não é bom carregar o peso do velho, especialmente o conhecimento, por mais incrível que ele seja. Usamos o conhecimento como um meio de autoprojeção, de nos manter seguros, e acreditamos que estaremos certos apenas se tivermos as mesmas experiências que Buda, Cristo ou X tiveram. Porém, um homem que está se protegendo constantemente com auxílio do conhecimento, é óbvio que não é um buscador da verdade...
Para a descoberta da verdade não há caminho... Quando se quer encontrar algo novo, quando se está experimentando alguma coisa, a mente tem de estar muito tranquila, certo? Se a mente está sobrecarregada, repleta de fatos e conhecimento, estes atuam como um impedimento ao novo. Para a maioria de nós, a dificuldade é que a mente se torna tão importante, tão predominantemente significativa, que interfere constantemente em qualquer coisa que possa ser nova, em qualquer coisa que possa existir simultaneamente com o conhecido. Por isso, o conhecimento e a aprendizagem são impedimentos para aqueles que buscam, tentam entender aquilo que é eterno."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 22)

Fonte:https://chavesparaasabedoria.blogspot.com.br/2017/09/

terça-feira, 10 de outubro de 2017

RELAÇÕES E ISOLAMENTO


"A vida é experiência, experiência em relação. Não se pode viver no isolamento; a vida, portanto, é relação, e relação é ação. E como adquirir a capacidade de compreender as relações, que é a vida? Não significam as relações, não só comunhão com pessoas, mas também intimidade com coisas e idéias? A vida são relações, que se expressam no contato com coisas, pessoas, idéias. Compreendendo as relações, teremos capacidade para enfrentar a vida de maneira completa, adequada. Nosso problema, portanto, não é ter capacidade — pois esta não é independente das relações — porém, antes, compreender as relações, o que naturalmente produzirá a capacidade de pronta flexibilidade, pronto ajustamento, pronta reação.
As relações, sem dúvida, são um espelho em que nos descobrimos. Sem relações não existimos. Ser é estar em relação, estar em relação é existir. Só existis em relação, de outro modo não existis, a existência nada significa. Não é porque pensais, que existis, que vos tornais existentes. Existis porque estais em relação, e é a falta de compreensão das relações que causa conflito."

(J. Krishnamurti, A Primeira e Última Liberdade, Ed. Cultrix, pg. 89) 

sábado, 30 de setembro de 2017

NOSSA LUZ INTERIOR


"Podemos falar indefinidamente, empilhar palavras sobre palavras, chegar a diversas conclusões, mas em toda essa confusão verbal, se houver uma ação clara, equivalerá a dez mil palavras. Muitos de nós temos medo de agir, porque estamos confusos, perturbados, mal-humorados e infelizes. Apesar de toda essa confusão e dessa desordem, esperamos que alguma luz venha nos iluminar, uma luz que não venha de fora, que jamais seja enevoada, que não nos foi dada nem induzida, ou que nos possa ser retirada; uma luz que se mantém por si só, sem nenhum esforço de nossa vontade, sem nenhuma razão, uma luz que não tem fim e, portanto, não tem começo. 
Muitos de nós se estivermos conscientes de nossa confusão interior, desejaremos essa luz. Vamos ver se conseguimos descobri-la para que nossa mente e nosso coração se tornem  iluminados, serenos, sem problemas nem medos. Seria muito valioso se pudéssemos ser nossa própria luz, uma luz que não dependesse de nada e que fosse completamente livre. (...)"

(J. Krishnamurti, Nossa Luz Interior, Ed. Ágora, p. 20)
(www.editoraagora.com.br)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

VIVENDO COM BONDADE


"Por que o homem não tem sido capaz de se modificar? Ele muda um pouquinho aqui, um pouquinho ali, e ainda quer que a sociedade seja boa. Quer ordem, não apenas em si mesmo, mas nos seus relacionamentos, mesmo os mais íntimos, ao mesmo tempo que deseja paz no mundo; quer isolar-se para poder desenvolver-se e usufruir de algum tipo de beatitude. Se observarmos, esta tem sido a exigência da humanidade no transcorrer dos anos, desde épocas muito remotas. No entanto, quanto mais o homem se torna civilizado, mais desordens ele provoca, e mais guerras surgem. Não se conhece neste planeta um tempo em que não houve: guerras, seres humanos matando seres humanos, uma religião destruindo a outra, uma instituição dominando e destruindo outras, uma organização sufocando a outra. (...)
Construir uma sociedade justa vem sendo o sonho antigo de hindus, gregos e egípcios. E uma sociedade justa só poderá existir quando a humanidade for boa, porque sendo boa o homem cria bondade, constrói bondade em seus relacionamentos, em suas ações em sua maneira de viver.
Ser bom também significa ser belo. Ser bom significa ser sagrado; está relacionado a Deus, aos mais elevados princípios. A palavra bom precisa ser entendida com clareza. Quando a bondade existe dentro de nós, tudo o que fizermos será bom, nossos relacionamentos serão bons, nossas ações, nossa maneira de pensar. Podemos captar instantaneamente o sentido global dessa palavra."

(J. Krishnamurti, Nossa Luz Interior, Ed. Ágora, p. 16)
www.editoraagora.com.br

terça-feira, 12 de setembro de 2017

MEDITAÇÃO DIÁRIA


"A meditação em nossa vida diária é a transformação da mente, uma revolução psicológica para que possamos viver - não na teoria, como um ideal, mas em cada movimento dessa vida -, na qual existe compaixão, amor e a energia que transcende toda a pequenez, toda a estreiteza e toda a incerteza. Quando a mente está em repouso - em repouso absoluto, aquietada pelo desejo ou pela vontade - então surgirá uma maneira de ser completamente diversa do movimento, que não implica tempo."

(J. Krishnamurti, Nossa Luz Interior, Ed. Ágora, pg. 14)
www.editoraagora.com.br

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

PLENA ATENÇÃO


"Você prestou total atenção em alguma coisa? Você presta atenção quando alguém está lhe falando? Ou está ouvindo com a mente comparativa que já adquiriu certos conhecimentos e está comparando o que está sendo dito com o que você já sabe? Não estará interpretando o que está sendo dito de acordo com seus prévios conhecimentos, suas próprias inclinações, seus próprios julgamentos? Isto não é atenção, certo? Se prestar total atenção com seu corpo, seus nervos, olhos, ouvidos, sua mente, com todo seu ser, não haverá nenhum centro por meio do qual você estará observando; só a atenção está presente. Esta atenção é o silêncio completo."

(J. Krishnamurti, Nossa Luz Interior, Ed. Ágora, p. 13)
www.editoraagora.com.br

sábado, 26 de agosto de 2017

EXISTE ALGO ALÉM DO TEMPO?


"O que é criação? Não me refiro ao pintor, ao poeta, ao escultor; todas essas coisas são manifestações. Existe algo que não seja uma manifestação? Algo que, por não ser manifestado, não tem princípio nem fim? Tudo o que se manifesta tem princípio e fim. Nós somos manifestações. Não de ordem divina, mas produto de milhares de anos da assim chamada evolução, crescimento, desenvolvimento, e nós também temos um fim. Tudo o que se manifesta pode ser destruído, mas o que não se manifesta não tem tempo.
Nossa pergunta é se existe algo além do tempo. Este tem sido o questionamento dos filósofos, cientistas e religiosos, que buscam encontrar o que há além da capacidade humana, além do tempo. Porque se chegarmos a descobrir ou ver isso, teremos alcançado a imortalidade. Isto seria ir além da morte. O homem tem buscado isso de diversas maneiras, em diferentes partes do mundo, por meio de várias crenças, pois quando descobrirmos ou percebermos esse fato, então a vida não terá princípio nem fim. Estará além de qualquer conceito, além de toda a esperança. É algo infinitamente grande."

(J. Krishnamurti, Nossa Luz Interior, Ed. Ágora, pg. 44)
www.editoroaagora.com.br

terça-feira, 1 de agosto de 2017

SERIA POSSÍVEL?


"Seria possível observar a coisa em sua totalidade e, nessa mesma observação do todo, enxergar o seu fim? Seria possível observar nossa dor, ansiedade e culpa em sua completa dimensão? Digamos que me sinto culpado. Será que posso olhar a culpa, saber como ela surgiu, o que a motivou, ver o pavor que sinto diante dela, ver toda sua estrutura e observá-la na sua completa totalidade? Claro que sim, mas posso apenas observar  sua totalidade quando eu tiver consciência da natureza do sofrimento. Posso estar ciente dele se não houver nenhum comando ou motivo envolvido nessa conscientização."

(J. krishnamurti, Nossa Luz Interior, Editora Ágora)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

DISCIPLINA

"A disciplina, o ajustamento, o exercício, só servem para reforçar a consciência individual de ser alguma coisa. A mente pratica a não-avidez e, por conseguinte, não está livre da consciência de ser não-ávida, por esta razão ela não é, deveras, não-ávida; apenas vestiu uma capa nova, a que chama não-avidez. Pode-se observar este processo em todos os seus aspectos; nossos motivos, nosso desejo de alcançar um fim, pelo ajustamento a um padrão, nosso desejo de estar em segurança, na observância de um padrão, tudo isso constitui apenas o movimento do conhecido para o conhecido, sempre dentro dos limites do próprio processo egocêntrico da mente. Perceber tudo isso, estar cônscio de tudo isso é o começo da inteligência, e a inteligência nem é virtuosa nem não-virtuosa, pois não pode ser ajustada a um padrão de virtude ou de não - virtude. A inteligência traz liberdade — que não significa licenciosidade ou desordem. Sem esta inteligência não pode haver virtude; a virtude dá liberdade, e com a liberdade surge a realidade. Se perceberes esse processo na sua inteireza, vereis então que desaparecerá o conflito. Porque nos sentimos em conflito e desejamos dele fugir, recorremos às várias formas de disciplina, de renúncia e ajustamento. Quando vemos em que consiste o processo do conflito, não há mais questão de disciplina, porque compreendemos, então, momento por momento, todo o mecanismo do conflito."

(J. Krishinamurti, A Primeira e Última Liberdade, Ed. Cultrix pg. 139)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

DISCERNIMENTO



"Por mais sábio que já sejas, nesta Senda ainda terás muito que aprender; tanto que aqui também deve haver discernimento, e tu deves pensar cuidadosamente o que vale a pena ser aprendido. Todo conhecimento é útil, e um dia terás todo o conhecimento; enquanto, porém, tu tiveres somente parte dele, toma cuidado para que essa seja a parte mais útil. Deus tanto é Sabedoria como Amor; e quanto mais sabedoria tiveres mais Ele poderá se manifestar por teu intermédio. Estuda, então, mas estuda em primeiro lugar aquilo que mais te habilite a auxiliar os outros. Trabalha pacientemente em teus estudos, não para que os homens te considerem sábio, nem mesmo para que possas ter a felicidade de ser sábio, mas porque somente os homens sábios podem ser sabiamente úteis. Por muito que desejes auxiliar, enquanto fores ignorante poderás fazer mais mal do que bem."

( J. Krishnamurti, Aos Pés do mestre, Ed. Teosófica)