sábado, 9 de setembro de 2017

A RAIZ DE TODO O MEDO

"O anseio de se tornar causa medo. Ser, alcançar e depender também geram medo. O estado de ausência de medo não é a negação, não é o oposto do medo nem é coragem. Quando se entende a causa do medo, ele cessa. Não se trata de tornar-se corajoso, porque em tudo o que se torna há a semente do medo. A dependência de coisas, de pessoas ou de ideias gera medo. A dependência nasce da ignorância, da ausência de autoconhecimento, da pobreza interior. O medo causa incerteza na mente e no coração, impedindo a comunicação e o entendimento.
Mediante a autoconsciência começamos a descobrir e, assim, a compreender a causa do medo, não apenas a superficial, mas os profundos medos causais e acumulativos. O medo pode ser tanto inato quanto adquirido, está relacionado ao passado, e para libertar dele o pensamento-sentimento, o passado deve ser compreendido por meio do presente. O passado está sempre querendo dar origem ao presente, tornando-se a memória identificadora do 'eu' e do 'meu'. O self é a raiz de todos os medos."


(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 110)
Fonte:chavesparaasabedoria.blogspot.com.br

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MUDANDO O FOCO DA IRA

"O ressentimento e a ira muitas vezes levam a doenças; por isso, é importante não se deixar contaminar automaticamente por uma pessoa zangada e manter-se atento ao crescimento da própria ira em resposta à ira do outro. Mesmo que esse sentimento surja, pode-se mudar o foco da atenção, visualizar alguém com quem se tem um relacionamento amoroso e deixar que esse amor flua para fora, mesmo que seja durante um curto espaço de tempo.(...)
Muito embora a pessoa possa perceber que está reagindo com raiva, hostilidade e ressentimento, muitas vezes ela resolve não mudar, já que não reagir negativamente à emoção negativa da outra pessoa é interpretado, em nossa cultura, como fraqueza ou submissão. Porém, ao escolher deliberadamente uma resposta positiva, a pessoa desenvolve um método ativo de mudar seu próprio comportamento condicionado.
Perceba os efeitos dos impactos emocionais. Você é capaz de intervir, reduzir as tensões e otimizar seus relacionamentos."

(Dora Kunz e Erik Peper - A ira e seus efeitos - Revista Sophia, nº 39 - p. 37)



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

TREINANDO A MENTE


"Os mestres da meditação budista sabem o quão flexível e maleável é a mente. Se a treinamos, tudo é possível. Na verdade, já somos perfeitamente treinados pelo samsara e para ele, treinados para ficar ciumentos, treinados para o apego, treinados para ser ansiosos e tristes e desesperados e ávidos, treinados para reagir com raiva ao que quer que nos provoque. Somos treinados, de fato, até o ponto dessas emoções negativas surgirem de modo espontâneo, sem que tentemos produzi-las. Assim, tudo é uma questão de treino e do poder do hábito. Dedique a mente à confusão e logo veremos - se formos honestos - que ela se tornará uma mestra sinistra na confusão, competente no seu vício, sutil e perversamente dócil em sua escravidão. Dedique a mente na meditação à tarefa de libertá-la da ilusão e veremos que com tempo, paciência, disciplina e o treinamento adequado, ela começará a desembaraçar-se e conhecer sua bem-aventurança e claridade essenciais."

(Sogyal Rinpoche - O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Ed. Talento/Ed. Palas Athena, 1999 - p. 87/88) 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

AÇÕES ALTRUÍSTICAS


"Soube de um grupo de bombeiros que, ao combater um grande incêndio, experimentou um sentimento de grande unidade que eliminou todo o medo de perigo pessoal. Situações assim são frequentes. Numa crise súbita a pessoa pode esquecer de si mesma, deixar de defender sua posição autocentrada e mostrar uma extraordinária coragem. Mas nem sempre é assim. Quando ameaçadas de escassez, elas tendem a comprar provisões em quantidades ridiculamente grandes, porque a mente teve tempo para reagir e ocupar seu centro.(...)
A chave para manifestar as virtudes está na auto-observação e no autoconhecimento. Paradoxalmente, a preparação para deixar o centro pode ocorrer melhor de maneira inconsciente, ou pelo menos natural e espontânea. Todas as virtudes são expressões de uma atitude - e essa atitude nada tem a ver com estar no centro. Para ser virtuosa a pessoa precisa deixar o centro."

(Mary Anderson - Como superar o egocentrismo - Revista Sophia, Ano 10, nº 39 - p. 40) 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

OS OITO TIPOS DE SOFRIMENTO

"Juntos, temos oito tipos de sofrimento: nascimento, velhice, doença, morte, encontrar o que não é desejável, não ser capaz de conservar o que é desejável, não conseguir o que se deseja e ansiedade geral. Seja útil ou grosseira, toda dor se enquadra em uma dessas oito categorias. As quatro primeiras - nascimento, velhice, doença e morte - baseiam-se no resultado do karma anterior; portanto, são chamadas de 'sofrimento herdado'. Essas quatro categorias de sofrimento são simplesmente os inconvenientes em que estamos envolvidos por estarmos vivos. Às três seguintes - encontrar o que não é desejável, não ser capaz de manter o que é desejável e não conseguir o que se deseja - nós nos referimos como 'o sofrimento do período entre nascimento e morte'; e, o último, esse é simplesmente chamado de 'ansiedade geral' (...) As sete anteriores eram situações de dor e sofrimento compreensíveis. A oitava não é pior, mas é mais sutil. É a sensação sutil de insatisfação e angústia gerais que persistem o tempo todo."

(Chögyam Trungpa, As 4 Nobres Verdade do Budismo, Ed. Cultrix, p. 40)
www.editoracultrix.com.br

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

PASSOS NA SENDA

"Até o momento em que alcançamos a humanidade, e talvez por muitas vidas depois disso, o progresso é realizado por meio do que H.P.B chama de 'impulso natural'. Isso é evolução propriamente dita, sempre avançando, sem poder, de forma alguma, retroceder. Mas, no momento em que despertamos para nossa responsabilidade individual, a coisa toda se torna um projeto de 'faça você mesmo'. Qualquer que seja o nosso caminho, temos que chegar lá por nossos próprios esforços, não sendo permitido depender de ninguém. 
Embora tenhamos apenas que ponderar sobre isso para reconhecer sua veracidade, ainda temos a percepção de que viajamos na companhia de outros peregrinos em recíproca afeição e benevolência."

(Virginia Hanson, As três proposições fundamentais de A Doutrina Secreta, Publicação da Sociedade Teosófica no Brasil, out/nov/dezembro de 2016, p. 41)
www.sociedadeteosofica.org.br

domingo, 3 de setembro de 2017

A MEMÓRIA

"O que faz do homem um pensador, uma característica que o destaca de todo os outros seres vivos, é sua memória e o uso que é capaz de fazer dela. A vida está sempre contida naquele instante intangível que chamamos de presente, mas a consciência, que é inseparável dela, possui como seu domínio não apenas o que percebe no instante presente, mas a região que já percorreu e inclui em suas memórias, sobre a qual o pensamento se movimenta e constrói os seus edifícios. Sem lembrança do que foi registrado cronologicamente no passado, o homem não pode pensar; assim como sua vida perderia sua coerência, e seus atos no presente, sua relevância. Ele estaria se movimentando como um veleiro ao sabor do vento, que sopra a todo momento daquele movimento, mas incapaz de direcionar o seu curso em qualquer direção. Nesse caso, a própria palavra direção envolve dois pontos, o momento passado que, através do presente, faz sua ligação com o futuro. Quando se fala em evolução existe uma contínua e crescente capacidade de lembrança. Nossa memória é muito mais sutil e inclusa do que a de qualquer animal. Um animal desenvolvido como o elefante pode lembrar-se de determinados eventos por longo tempo. Mas a nossa memória possui uma extensão mais ampla; ela inclui ideias e experiências pertencentes exclusivamente ao estágio humano."

(N. Sri Ram, O significado de cada momento presente, TheoSophia, publicação da Sociedade Teosófica no Brasil, out/nov/dezembro de 2016, pg. 20)
www.sociedadeteosofica.org.br

sábado, 2 de setembro de 2017

O CAMINHO

"O caminho não existe realmente a menos que estejamos disponíveis. É como se fôssemos o operário que trabalha na construção da estrada, o topógrafo e o viajante, tudo ao mesmo tempo. À medida que progredimos ao longo da estrada, ela vai sendo construída, o levantamento topográfico e a locação vão sendo feitos e nós nos tornamos viajantes."

(Chögyam Trungpa, , As 4 Nobres Verdades do Budismo. Ed. Cultrix, pg.133)
www.editoracultrix.com.br

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

EDUCAÇÃO


"O conceito de educação está geralmente limitado à ideia de crianças, escolas, faculdades e lugares onde os jovens são ensinados por professores mais velhos. Considera-se também, em primeiro lugar, o aprendizado de uma profissão, o sobreviver, um treinamento para a vida num sentido puramente materialista.
Mas a educação num sentido mais amplo não está confinada à juventude e a estabelecimentos educacionais propriamente ditos, ou ao treinamento para a sobrevivência, pois a vida é muito mais que a sobrevivência puramente material; a educação pode acompanhar a vida da pessoa enquanto ela estiver aberta ao aprendizado. E qualquer um pode funcionar como professor e aluno."

(Mary Anderson, Educação e autodescoberta, Revista Sophia, Nº 67, pg. 27)
www.editorateosofica.com.br